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Em ação, MPMG pede a cassação do prefeito e da vice de Araguari

No procedimento aberto. Promotoria investiga suposta compra de votos e de apoio político pela chapa vencedora da eleição do ano passado

Em mais uma investigação, o Ministério Público de Minas (MPMG), por meio da Promotoria Eleitoral de Araguari, no Triângulo Mineiro, solicitou a cassação e a inelegibilidade do atual prefeito da cidade, Major Renato (Republicanos), e de sua vice, Maria Cecília (Solidariedade), por abuso de poder econômico. No mês passado, a promotora eleitoral Cristina Fagundes, da Promotoria Eleitoral de Araguari, abriu mais uma ação de investigação eleitoral apontando uma série de supostas irregularidades cometidas pela campanha da chapa vencedora, que incluiria a compra de votos e de apoio político para a atração de adversários.

A ação é diferente da protocolada em novembro, cinco dias após a eleição, em que apontava apenas violação do “princípio democrático e da isonomia no processo eleitoral”. Na nova investida do MPMG, nove pessoas estão sendo investigadas, e entre elas estão Major Renato, sua vice, além de José Júlio Rodrigues, que é administrador de uma instituição responsável pelo centro universitário Imepac; Wesley Lucas (Patriotas), que é ex-presidente da Câmara Municipal e coordenou a campanha vencedora; Juberson dos Santos, que é empresário e foi apoiador da campanha.

No rol de investigados ainda figuram uma funcionária do grupo empresarial comandado por José Júlio, o presidente do Patriotas na cidade, um apoiador de campanha dos candidatos e uma professora do curso de direito e atuante no Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Imepac.

No documento, a promotora Cristina Fagundes Siqueira aponta que houve uma suposta aliança entre Wesley, Juberson e José Júlio. Nesse caso, o objetivo era, segundo a investigação, “a utilização do poder econômico dos dois últimos, Juberson como prestador de serviços em diversas empresas na área de segurança do trabalho e José Júlio como reitor do Imepac para influenciar o eleitorado a votar nos candidatos investigados”. 

A investigação está documentada em 766 páginas e traz uma série de interceptações telefônicas que, segundo a promotoria, confirmam as acusações. A promotora aponta ainda que Wesley Lucas, como coordenador de campanha, teria participado de todo o processo. Nesse cenário, o MPMG sustenta que Wesley teria realizado, inclusive, compra de votos para a campanha vencedora.

Durante as investigações, foi verificado também um suposto oferecimento de cargos, dinheiro e apoio de campanha para que candidatos a vereadores que apoiavam adversários de Major Renato passassem a chancelar a chapa dele. A prática, que é proibida, teria sido realizada pelo presidente do Patriotas e por um dos apoiadores de campanha, juntamente com Wesley Lucas. A funcionária do grupo empresarial de José Júlio teria procurado um servidor comissionado para “oferta de cargos/vantagens para apoiar a candidatura (de Major Renato)”.

Já a professora do Núcleo de Práticas Jurídicas teria cadastrado um celular em seu nome no fim de outubro “para remeter mensagem lembrando o eleitor pelos serviços prestados gratuitamente pelo NPJ e indicando que o candidato da Imepac era Major Renato e pedindo seu voto”.

O Aparte entrou em contato com os principais investigados pelo MPMG e apontados como os integrantes da aliança que garantiu o suposto esquema de apoio ilícito para a então candidatura do atual prefeito.

“Eu sou cidadão comum, eleitor normal. Não tenho estrutura nenhuma para utilizar. Qual é o problema de manifestar meu sentimento para A, B ou C? Não sou secretário nem vereador, não faço parte da Imepac”, disse Juberson. “Sou prestador de serviço. Qual é o problema de manifestar o meu sentimento eleitoral?”, complementou.

Ex-coordenador da campanha, Wesley Lucas negou todas as supostas irregularidades apontadas pelo MPMG. “Todas as ações feitas na campanha de Major Renato e de Maria Cecília foram dentro da legalidade”, informou, destacando que as supostas compras de voto e de apoio político não aconteceram. Ele também questionou as interceptações da Justiça. “Elas não foram colocadas na íntegra, mas apenas algumas partes”, reclamou o ex-vereador.
Embora tenha atendido à reportagem, José Júlio se negou a prestar informações e disse apenas que não tinha conhecimento da ação.

O Aparte entrou em contato com Major Renato pelo celular e acionou o gabinete dele na prefeitura, mas não tinha obtido retorno até o fechamento desta edição. 

Da Redação com O Tempo

prefeito de Araguari

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